domingo, 15 de maio de 2011

Cidade Fantasma


A Vila Morro Grande, nome também da Pedreira ali existente, na divisa de Vila Brasilândia, do Bairro de Freguesia do Ó, possui um pedaço de construções fantasmas, perdidas no tempo, longe do apogeu sonhado pelo seu criador.
Na década de 1930, iniciou-se a exploração da Pedreira Morro Grande, localizada na Serra da Cantareira, na parte pertencente a Freguesia do Ó.
Naquela época, para se chegar ao local, o único caminho disponível era a antiga Estrada do Congo, ainda sem asfalto.
O britador ficava no começo da referida estrada, hoje Avenida Elisio Teixeira Leite, na esquina com a Avenida Itaberaba, e os blocos de pedra eram transportados por carroças especiais puxados por mulas.
Nos finais dos anos 40 a britadeira foi desativada, com o asfaltamento da Estrada do Congo até a entrada da Pedreira, onde ainda hoje existe um portal na entrada.
Foi mais ou menos nessa época que o nordestino Tomás de Mello Cruz casou-se com Dona Elza, filha do proprietário da Pedreira.
Tomás de Mello Cruz vinha de uma renomada família que no Nordeste explorava o ramo de tecelagem e na Vila Morro Grande ele iniciou o seu grande império, construindo a Tecelagem Santo Eduardo Tecidos de Algodão Ltda. e implementando de modernidade a exploração da Pedreira.
Com as atividades da Pedreira, atendendo a uma São Paulo em obras, e a Tecelagem, a Vila Morro Grande passou a ser habitada pelos operários, com a criação de um pequeno comércio no local.
Ao redor da Tecelagem também era plantado café de qualidade,  destinado a importação.
O Sr. Tomás de Mello Cruz, além dos empregos que gerava para a população local, era um benfeitor da região, contribuindo com diversas obras, inclusive na pavimentando de cascalho de pedra inúmeras ruas de terra.
Homem notável e empreendedor, foi mais adiante. Nos anos 60 criou o internato Instituto Mairiporã, escola de formação ginasial e profissional para os filhos de seus empregados.
Na Vila Morro Grande contruiu uma moderna Igreja, dedicada a Santa Clara, toda de grandes vitrais, com o piso em desnível, de forma que todo participante dos atos religiosos ali realizados tivessem ampla visão do altar, que ficava em destaque elevado, podendo ainda ser visto nos fundos o Pico do Jaraguá, de forma grandiosa.
E não é só. O Sr. Tomás lá também construiu um charmoso cinema, onde além de exibição de filmes o prédio era usado para outras atividades sociais.
Todo dia, pontualmente, às 11:00 e 16:00 horas, podia se ouvir na região o som das explosões do maciço das rochas da pedreira, feitas com dinamite.
Nos anos 80, a Pedreira não pode mais continuar suas atividades e a Tecelagem por outros motivos quebrou.
A Igreja e o Cinema hoje são obras fantasmas, deterioradas pelo tempo. O prédio da Tecelagem segue o mesmo caminho e a plantação de café foi abandonada, tomada por ervas daninhas. Tudo longe, repete-se, do apogeu sonhado pelo seu criador. Viva São Paulo.

Fonte: http://www.vivasp.com/texto.asp?tid=3255&sid=1

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